27
Nov 09

O meu portátil sabe a mar.  Mar salgado de lágrimas. Hoje o meu dia não teve 24h, teve tantas quantas as horas da minha vida que ainda está para viver. Hoje voltei a nascer de novo. Hoje não foi um dia qualquer. Foi o dia em que eu fui muitas. É o dia em que apesar deste cansaço de morte deixei de ter uma espada apontada ao peito, literalmente ao peito, que mantenho intacto. Acabo o meu dia assim, derrotada por ter dado tudo para sair vitoriosa. Talvez este seja o dia da minha vida em que me sinto mais cansada, mais gasta de mim, mas é o dia em que renasci...

 

Estou neste momento a imprimir todos os documentos que preciso para embarcar, amanhã, depois de ter confirmado horários de comboio, de ter combinado uma união de mala a meio do mesmo, serei eu e tu, uma mala para duas e a minha vida inteira pela frente. Até eu tenho dificuldade em saber como é que no meio deste turbilhão tive tempo para reservar estadias, carro, etc...Não sei como fiz isto, mas o que sei é que amanhã tenho comboio às 10h44 para Faro e que de Faro apanho avião para Bruxelas, onde tenho um carro à minha espera que me levará a Amsterdam ou até outro local onde e aí sim talvez depois de deitada numa cama que não é minha, consiga dizer como foi que fiz isto, mas melhor ainda é levar a mão ao peito e sentir que nada falta e que nada está a mais.

 

publicado por a rapariga que matou o coração às 22:34

comentários:
Fico feliz por ti... por saber que estás e estarás bem... por abrir o teu blog e ler a respeito da tua vitória... aquela que desejava que um dia escrevesses aqui... foi hoje :)
Boa viagem Sara e diverte-te... aproveita teres renascido... (Como se fosse preciso alguem te dizer para o fazeres não é?)

Beijos Sara bom fim de semana graaaaaande...
César. a 27 de Novembro de 2009 às 23:48

César,
acreditem ou não quando me tiraram a espada do peito, não senti alegria, não senti tristeza, não senti alívio, não senti nada do que é suposto sentir, senti que era o que estava certo que fosse, não fiquei surpresa, só poderia ser assim, não poderia ser de outra maneira, posso ter parecida ingrata com a vida que me devolveram, mal agradecida, sei lá. Eu sabia, por querer tanto que sim, e essa certeza, foi ganhando cada vez mais verdade, que não era uma surpresa era um facto, para mim, que só precisava de confirmação de outro para ser verdade para os outros, quando para mim sempre o foi. Um facto. Hoje olho e se calhar fui ingénua na abordagem que fiz da doença, fui crente demais na minha fé de viver, no meu querer viver, se calhar...
sara maria a 15 de Dezembro de 2009 às 19:46

Sara, nem imaginas como estou contente com as notícias maravilhosas que nos deste! Agora, tens esta viagem não planeada para festejar e gozar em pleno, assim como todas as outras que irás não planear! As saudades do teu futuro já começaram (acho que só sofreram uma pausa para descanso)...beijinhos grandes e uma óptima semana e para a semana cá nos "vemos"!
Regina Pacheco a 28 de Novembro de 2009 às 16:38

Regina,
obrigado, obrigado por ler nas entrelinhas aquilo que tive medo de gritar bem alto, aquilo que não quis gritar com medo de que ganhasse força. Acredito no poder das palavras, e acredito que proferi apenas as boas...
sara maria a 15 de Dezembro de 2009 às 19:47

Há sempre uma esperança em que tudo corra bem.
è por isso mesmo que lutamos com todas as forças. Ficamos de rastos mas como dizes ganhamos e ficamos vitoriosos. O Cansaso afinal mereceu a pena.
Boa Viagem e que tudo corra pelo melhor, bem já sei que só vou ter a resposta quaando vieres , mas eu aguardo um pouco impaciênte.

Beijinhos curte bem
O Gato a 29 de Novembro de 2009 às 11:27

Gato,
a resposta demorou um pouco mais. Sou como os gatos afinal, com a diferença que as minhas vidas são muito mais que sete.
sara maria a 15 de Dezembro de 2009 às 19:48

Lá anda ela, de um lado para o outro. Boa viagem!
Mau Feitio a 2 de Dezembro de 2009 às 11:38

Sou assim esta vadia.
sara maria a 15 de Dezembro de 2009 às 19:49

Sara Maria,
Melhor escolha não me parece possivel :-)
Beijinhos e aproveita ao maximo uma vida que não pode ser vivida nos minimos
Marta a 4 de Dezembro de 2009 às 13:42

Viver nos mínimos, não, nunca mais.
sara maria a 15 de Dezembro de 2009 às 19:49

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