O meu portátil sabe a mar. Mar salgado de lágrimas. Hoje o meu dia não teve 24h, teve tantas quantas as horas da minha vida que ainda está para viver. Hoje voltei a nascer de novo. Hoje não foi um dia qualquer. Foi o dia em que eu fui muitas. É o dia em que apesar deste cansaço de morte deixei de ter uma espada apontada ao peito, literalmente ao peito, que mantenho intacto. Acabo o meu dia assim, derrotada por ter dado tudo para sair vitoriosa. Talvez este seja o dia da minha vida em que me sinto mais cansada, mais gasta de mim, mas é o dia em que renasci...
Estou neste momento a imprimir todos os documentos que preciso para embarcar, amanhã, depois de ter confirmado horários de comboio, de ter combinado uma união de mala a meio do mesmo, serei eu e tu, uma mala para duas e a minha vida inteira pela frente. Até eu tenho dificuldade em saber como é que no meio deste turbilhão tive tempo para reservar estadias, carro, etc...Não sei como fiz isto, mas o que sei é que amanhã tenho comboio às 10h44 para Faro e que de Faro apanho avião para Bruxelas, onde tenho um carro à minha espera que me levará a Amsterdam ou até outro local onde e aí sim talvez depois de deitada numa cama que não é minha, consiga dizer como foi que fiz isto, mas melhor ainda é levar a mão ao peito e sentir que nada falta e que nada está a mais.
